Saúde capilar

Queda de cabelo: hormônio, ferro, tireoide ou dieta?

Queda de cabelo pode vir da tireoide, da falta de ferro, de mudanças hormonais, do pós-parto ou de dieta restritiva. Como descobrir qual é a sua causa.

Perceber o cabelo caindo mais do que o normal assusta, e a primeira reação costuma ser procurar um xampu ou um suplemento que faça o fio crescer. Só que a pergunta mais útil não é “o que faz o cabelo crescer”, e sim “por que o meu está caindo”. Queda de cabelo é um sintoma, não uma doença: pode vir da tireoide, da falta de ferro, de uma mudança hormonal, do pós-parto ou de uma dieta muito restritiva. Descobrir qual é a sua causa é o que decide o que fazer a seguir.

Cair um pouco é normal. Quando vira sinal?

Perder entre 50 e 100 fios por dia faz parte do ciclo natural do cabelo: cada fio nasce, cresce por anos, descansa e cai para dar lugar a outro. Ver alguns fios no travesseiro, no ralo do banho ou na escova, portanto, não é motivo de alarme por si só. O que merece atenção é a mudança de padrão: quando a queda aumenta de forma perceptível e sustentada por semanas, quando o cabelo afina de modo difuso (o rabo de cavalo fica mais fino, o couro cabeludo aparece mais) ou quando surgem falhas em pontos específicos. Outro sinal importante é a queda vir acompanhada de cansaço, unhas fracas, pele seca ou mudanças no ciclo menstrual, porque aí o cabelo pode estar denunciando algo que acontece no corpo inteiro. Nesses casos, vale investigar em vez de simplesmente trocar de xampu.

Difusa ou em falhas? O primeiro corte

Antes de pensar na causa, vale olhar o tipo de queda, porque isso já separa dois mundos. A queda difusa, em que o cabelo rareia de forma parelha por todo o couro cabeludo e você perde volume no geral, é a que costuma ter origem interna: tireoide, ferro, hormônio, pós-parto, dieta. É dela que este texto trata. Já as falhas bem delimitadas, redondas ou ovais, sem nenhum fio no meio, apontam para outra coisa, como a alopecia areata, de fundo autoimune. E quando o problema é o fio quebrando (pontas partidas, cabelo que não cresce) em vez de cair pela raiz, o caminho costuma passar por química agressiva, alisamento, descoloração ou penteados muito apertados. Esses dois últimos casos pedem um olhar direto no couro cabeludo, não só exame de sangue. Saber em qual grupo você está já encurta metade do caminho.

Eflúvio telógeno: quando a queda vem com atraso

Boa parte das quedas difusas tem nome: eflúvio telógeno. É quando um gatilho empurra muitos fios de uma vez para a fase de repouso, e eles caem juntos alguns meses depois. O detalhe que confunde é justamente esse atraso: a queda costuma aparecer de 2 a 3 meses após o evento que a causou, então, quando o cabelo começa a cair, a pessoa já nem associa ao que aconteceu antes. Os gatilhos são variados: uma infecção ou febre alta, uma cirurgia, um período de estresse intenso, o parto, uma dieta radical, a suspensão de um anticoncepcional. Entender isso muda a investigação, porque a causa não está no couro cabeludo de agora, está no que o corpo viveu semanas atrás. A boa notícia é que, resolvido o gatilho, o eflúvio telógeno costuma se recuperar sozinho, ainda que leve meses.

Tireoide: quando o cabelo denuncia o hormônio

A tireoide regula o ritmo do corpo inteiro, e o cabelo é um dos primeiros a sentir quando ela sai do lugar. Tanto o hipotireoidismo (tireoide lenta) quanto o hipertireoidismo (tireoide acelerada) podem causar queda difusa e afinamento dos fios. No hipotireoidismo, é comum o cabelo ficar mais seco, quebradiço e ralo, às vezes junto de cansaço, ganho de peso, pele seca e intestino preso. Por isso o TSH costuma estar entre os primeiros exames de uma investigação de queda, quase sempre ao lado da ferritina, e não é coincidência: a própria tireoide precisa de ferro para fabricar seus hormônios, então uma reserva de ferro baixa pode atrapalhar o funcionamento dela. Ferro e tireoide se puxam, e é comum os dois estarem baixos ao mesmo tempo, o que soma efeitos sobre o cabelo. Se você quer entender esse eixo, vale ler também cansaço com TSH normal. O diagnóstico depende de avaliação clínica.

Ferro baixo: a carência silenciosa da ferritina

O ferro é matéria-prima para o crescimento do fio, e a reserva desse ferro no corpo é medida pela ferritina. Aqui mora uma armadilha comum: dá para ter ferritina baixa e cabelo caindo mesmo sem anemia no hemograma. A anemia é o estágio mais avançado da falta de ferro; antes dela, a reserva já pode estar baixa o suficiente para afetar o cabelo, sem ainda alterar a hemoglobina. Ou seja, hemograma normal não descarta a carência, é a ferritina que conta essa parte da história. E um detalhe que passa batido: estar dentro da faixa de referência do laboratório não é o mesmo que estar num nível confortável para o cabelo, porque essa faixa foi pensada para detectar anemia, não para nutrir o fio. É especialmente relevante para mulheres que menstruam e para quem faz dieta restritiva ou vegetariana sem ajuste. Repor pode ajudar, mas se, quando e como fazer isso depende de avaliação, porque ferro em excesso também faz mal.

Pós-parto: a queda que assusta, mas costuma passar

A queda de cabelo depois do parto é uma das mais assustadoras, e uma das mais mal explicadas. Durante a gravidez, o nível alto de hormônios segura os fios na fase de crescimento, e o cabelo parece mais cheio. Depois do parto, esses hormônios caem, e todos aqueles fios que ficaram “segurados” entram de uma vez na fase de queda. O resultado é uma perda intensa que costuma começar de 2 a 4 meses após o nascimento do bebê, com pico por volta do 4º ou 5º mês: é exatamente um eflúvio telógeno disparado pela mudança hormonal. Na maioria das vezes é temporária e se estabiliza ao longo de 6 a 12 meses, sem tratamento específico. O que vale acompanhar é quando ela não melhora nesse prazo ou vem com outros sinais, porque o pós-parto também pode desencadear alteração de tireoide e carências (ferro, zinco), e aí a causa deixa de ser só o hormônio da gestação.

Padrão androgenético: a queda que segue um desenho

Nem toda queda é difusa. Existe um tipo que segue um padrão, a chamada alopecia androgenética, ligada à ação dos hormônios androgênios sobre fios geneticamente sensíveis. Nos homens, costuma recuar a linha da testa e rarear o topo; nas mulheres, o mais comum é um alargamento do risco central do cabelo e um afinamento na parte de cima, preservando a linha da frente. A diferença prática importa: enquanto o eflúvio telógeno solta cabelo por todo o couro cabeludo, o padrão androgenético afina progressivamente regiões específicas. Nas mulheres, esse padrão pode aparecer junto de sinais de desequilíbrio hormonal, como acontece na síndrome dos ovários policísticos, em que a resistência à insulina e os androgênios elevados costumam andar juntos. Se esse eixo faz sentido pra você, vale ler sobre SOP e resistência à insulina. Qual é o padrão só se define no exame.

Dieta restritiva e emagrecimento rápido

Emagrecer rápido demais cobra um preço, e o cabelo costuma ser um dos primeiros a pagar. Dietas muito restritivas, jejuns prolongados sem acompanhamento e cortes agressivos de calorias privam o organismo de proteína, ferro, zinco e outros nutrientes que o fio precisa para crescer. Diante da escassez, o corpo prioriza órgãos vitais e coloca o cabelo em segundo plano, empurrando fios para a fase de queda. É mais um eflúvio telógeno, dessa vez disparado pela restrição. A queda costuma aparecer semanas depois do período mais radical da dieta, quando a pessoa já acha que “estava indo tudo bem”. A proteína merece atenção especial, porque o fio é feito basicamente dela. Emagrecer de forma sustentável, com aporte adequado de nutrientes e avaliação, protege o cabelo e ainda dá um resultado mais estável no peso. Restrição extrema raramente sai barata para o corpo.

Por que investigar antes de tratar

O mesmo sintoma, a queda de cabelo, tem causas muito diferentes, e é por isso que sair aplicando “a solução da internet” costuma decepcionar. Um suplemento de ferro não resolve uma queda causada pela tireoide; cuidar da tireoide não recupera um cabelo que cai por dieta radical. A abordagem integrativa parte justamente daí: entender a origem antes de propor qualquer conduta. Na prática, isso começa por uma conversa sobre o histórico (o que mudou nos últimos meses, o ciclo menstrual, gestação recente, dietas, remédios) e por um exame do couro cabeludo, às vezes com tricoscopia (uma lupa de aumento), para separar queda difusa de falhas. A partir daí, exames como ferritina, hemograma, TSH e avaliação hormonal entram quando indicados, para confirmar a suspeita. É um sintoma que costuma cruzar tireoide, ferro, hormônio e alimentação ao mesmo tempo, e olhar para ele isolado é o que mais atrasa a resposta. Investigar é o que transforma “meu cabelo cai” em “sei por que cai”.

Perguntas frequentes

Quantos fios de cabelo é normal perder por dia?

Perder entre 50 e 100 fios por dia faz parte do ciclo natural do cabelo. O que merece atenção não é ver alguns fios na escova ou no ralo, e sim uma queda que aumenta de forma perceptível e sustentada por semanas, um afinamento difuso ou falhas localizadas. Nesses casos, e principalmente quando há outros sintomas junto, como cansaço ou unhas fracas, vale investigar a causa em vez de trocar de xampu.

A queda de cabelo pós-parto é normal?

Sim, é comum e costuma ser temporária. Depois do parto, a queda dos hormônios da gestação faz muitos fios entrarem de uma vez na fase de queda, geralmente de 2 a 4 meses após o nascimento do bebê, com pico por volta do 4º ou 5º mês. Na maioria das vezes se estabiliza ao longo de 6 a 12 meses. Quando a queda não melhora nesse período ou vem acompanhada de outros sintomas, vale avaliar, porque o pós-parto também pode desencadear alteração de tireoide ou queda de ferro. Cada caso é avaliado de forma individual.

Que exames ajudam a investigar a queda de cabelo?

Depende do caso, e a escolha parte da avaliação clínica. Entre os exames de sangue que costumam ajudar estão a ferritina (a reserva de ferro do corpo, que pode estar baixa mesmo sem anemia), o hemograma, o TSH e o T4 livre (tireoide) e, conforme o quadro, vitamina D, vitamina B12, zinco e avaliação hormonal. Além do sangue, o exame do couro cabeludo, às vezes com tricoscopia (uma lupa de aumento), ajuda a separar queda difusa de falhas. O objetivo é confirmar a suspeita levantada pelo histórico, não pedir tudo de uma vez. Os resultados variam de pessoa para pessoa.

Energia Vital · Formosa-GO

Quer descobrir a causa da sua queda de cabelo?

A equipe da Energia Vital, em Formosa-GO, faz uma avaliação individualizada, olhando o histórico, o exame e os exames necessários para entender a origem antes de propor qualquer conduta. Cada caso é avaliado de forma individual.

Falar com a clínica